quinta-feira, 14 de abril de 2022

O segundo em que tudo cresce

Na infância, o tempo é vagaroso
365 dias valem uma vida quase inteira!
Nada há nele de assombroso
Neles dançam os segundos em brincadeira

Sapateando, juntam-se os números, um à um
dos segundos às horas. Ora, nada incomum!
Do relógio ao calendário, o extraordinário
O momento tornou-se sumário!

No livro do crescer: Setecentos e trinta dias de sol
Mil e noventa e cinco dias da noite derradeira
Mil quatrocentos e sessenta e um dias de solo
Então germina no peito, o sentimento de cerejeira

O tempo é lento... 
Ao passo que rápido
Um estranho devagar
Brotou no peito um afeto que se funde com o amar

A semente vira planta
Em um segundo que nunca avança!
Em qual momento podemos precisar?
Como notar quando rompe a terra, a esperança?

Ouve, ouve bem dentro de ti o titubear
É o instante da primavera
É a semente que os céus quer laçar
Em tão pouco, o muito a raiar!

Da raiz ao broto, até o fruto que do galho se lança
Entre o sonambulismo e o acordar
A fração de morte e vida... E assim, repentina:
A fruta, ao pé balança.





sexta-feira, 25 de março de 2022

Eu estou escrevendo um livro chamado "Triz"

 Já o escrevi, reescrevi, reformulei, re-reformulei, desconstruí e reconstruí e construí do zero, depois subtraí, multipliquei por zero, apaguei tudo e então recomecei, e assim por diante, numa conta matemática que só faz sentido para quem é de humanas. Acho que ele nunca irá acabar. Acho que nunca darei conta de pôr um ponto final. Mas, cá está o primeiro capítulo:









domingo, 6 de março de 2022

No meio do caminho

 Ando sem saber o que escrever. O que dizer depois de tudo isso? Acho que nada. Vou colocando um pé na frente do outro. Não corro, não me apresso. Nada tenho a desejar. Observo o chão enquanto caminho. As pedras, a sujeira, o asfalto. Mas não sei aonde vou. Só sei até onde pisei. Todos os meus planos, que nem eram planos realmente, envolviam um sonho. Abstrato, irreal e impossível. E agora? Apatia. Tira-se os sonhos dos humanos e o que deles sobra de humano? Uma explosão à esquerda, um carnaval à direita, e eu caminhando sem rumo, tropeçando de um lado pro outro, como um embriagado qualquer, que sofre por um problema qualquer, nessa vida qualquer, que estapeia qualquer um que possui rosto. Rodopio os pés para olhar até onde caminhei, sem retornar. Não retorno porque desejo seguir em frente, mas porque é impossível voltar ao ponto de partida. O passado foi se apagando enquanto seguia meus passos. Quando olho para trás, o que vejo é um retrato, que vou colorindo, apagando e rearranjando ao bel prazer da memória e da saudade. Existir é um teatro, e meu passado é um cenário, o plano de fundo de uma trama que jamais desejei explorar. Me resta é caminhar, mesmo que arrastando os pés entre a folia e as tragédias. Caminharei melhor se me concentrar em só olhar para frente. Meus passos me bastam.

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Algumas poesias por aí

Pra quê uso o facebook? Ultimamente, apenas para descobrir novos poetas (pelo menos, novos para moi). Abaixo, alguns poemas que encontrei naquela rede social e resolvi traduzir. De nada. ;)


eu posso
ser o
escritor

mas você
sempre
será as palavras

.
.
.
.
Desejo escrever da forma como penso
Obsessivamente 
Incessantemente
Com uma fome enlouquecedora 
Eu escreveria ao ponto de suforcar-me
Eu escreveria a mim mesmo em acessos nervosos
Manuscritos em espirais saindo como tentáculos no abismo do nada
E escreveria sobre você
muito além
do que eu deveria

- Benedict Smith
.
.
.
.

Existem quatro coisas nessa vida
que irão te mudar. Amor, música, arte 
e a perda. As primeiras três te manterão selvagem
e cheio de paixão. 
Que você permita que a última te 
torne corajoso.

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.
.
.
Se você quer ser um guerreiro, 
prepare-se para se machucar,
se você quer ser um aventureiro,
prepare-se para se perder,
se você quer amar,
prepare-se para os dois.

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.
O choro não é um indicativo 
de fraqueza. Desde o nascimento,
sempre foi sinal de que você está vivo.

- Charlotte Brönte

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

À Sara

Minha Sara, 

Belo o momento em que olhastes para trás!

Titubeou-se em pensamento de espírito voraz

Quanta ternura em noite clara


E retornaste, curiosa, em passos de carne

Quanta coragem!

Vi-te de lá. Vistes-me à margem

Mira aos céus, Sara! E alarme!


Em vão.


Te arrependerias? Resposta morosa...

Tornaram-te areia ao fitar-me em chamas

Em teu corpo granulado já não se refletia flamas

Nas tuas narinas de sal,  sentistes odor da polvorosa?


Esfarelaram-te sem misericórdia

Mas esculpida em tua face, inextinguível vitória

Qual o último do teu órgão, converteu-se em grão?

Creio, Sara, que o coração.