Chão de Giz é uma composição velha e popular. Ouvi muito cedo, quando não entendia nada do mundo. A letra era um mistério. Sabia que ouvia algum segredo. Algum, bem do bonito. Não beijar só para gastar batom... Lindo! Gastei muito, até entender que às vezes não nos falta gramática, nos falta experiência.
Lembro bem, ali nos vinte anos, quando a vitalidade é abundante, que buscava eletrizante alguma festa que realmente fosse digna de ser assim chamada. Como era raridade, me contentei com muitas sarjetas e aceitei me encaixar em grupos estranhos a mim. Não me arrependo. Custa energia me arrepender.
Sou bem mais recatada do que fui. Minto. Sou uma aloucada que está em modo de hibernação. Atualmente, em dieta, restringindo-me, abraçando a resiliência, a disciplina. Quando me oferecem um trago de fumo, um gole de cerveja, um drink fraco... Não, não é o que quero. Não é um convite para um brinde que me religaria.
Certa vez, fumei dois maços de cigarro barato numa noite só. É isso que quero. Quero dez. Quero me tornar tabagista. Sem volta. Não aceito um copo de cerveja quando prefiro whisky. Sem gelo. Quente. Nem mais uma festa de noivado. Quero quarenta e oito horas naquela rave psicótica em meio à terra árida. Sem hora para voltar. É frustrante cometer meio pecado quando o karma vem à vista. Isso que aprendi.
Vejo minha bagunça. Sou bagunceira. Endireitá-la me exigiria muito. Aceita a proposta, me entregaria até as cinzas. Ainda tenho muito da minha intensidade. Só durmo com o silencio e a escuridão de um túmulo. Só tenho raiva do que posso esganar. Não me dispo mais sem intenção. E, se a ocasião me exige moderação... Não, não quero. Passo. Deixe que dou conta dos meus limites.
Hoje entendo o Zé. Se não posso me entregar completamente, o coração bate à meia-luz.