Talvez você retorne aqui e todos os textos tenham sumido ou note que as palavras foram trocadas e o sentido de um poema, de um texto, de uma frase, de um aforismo foi totalmente invertido. Aqui é RASCUNHOlogia, não Definitivologia.
sábado, 2 de dezembro de 2017
Quando me perguntam sobre depressão
Pessoas deprimidas se tornam muito egoístas por causa da doença - e estamos nessa sociedade lotada de deprimidos. Nós colocamos esses objetivos impossíveis na nossa vida e encarregamos outras pessoas de os atingir em nosso lugar. Temos comportamentos kamikaze e esperamos que todos consigam lidar bem com isso. Quando os outros exercem o direito da inconformidade com as nossas atitudes, eles ainda tem que lidar com esse encargo na consciência, de que sua liberdade deixará o deprimido desolado e potencialmente suicida. Esse comportamento depressivo alia os outros a também o serem, nós plantamos nos saudáveis a semente da tristeza, e assim contaminamos a todos. Tenho pena dos poucos que tem a mente saudável, porque são estes que precisam lidar com as angústias daqueles que estão tristes por estarem tristes. Por essas razões eu prefiro esconder minhas tristezas e por isso também, prefiro isolar o meu real eu.
terça-feira, 7 de novembro de 2017
O maníaco depressivo
Você já cruzou uma esquina e imaginou que uma corda enlaçou seu pescoço e o içou bem alto? Eu imagino.
Ando na rua torcendo para ser atirado, fatalmente, contra o asfalto, por um carro em alta velocidade. Passo debaixo das árvores esperando, ansioso, que um galho caia e divida o meu crânio em dois. Vivo querendo deixar de viver, mas me falta peito pra isso.
Espero que o acaso dê conta de fazer o serviço sozinho, pois me pergunto até quando vou me segurar.
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Você acredita em pessoas ruins?
Talvez eu seja muito inocente, talvez eu precise ganhar mais
experiência nessa vida, mas, até agora, nunca me deparei com uma pessoa
verdadeiramente ruim - sim, mesmo estas figuras históricas notavelmente reconhecidas
como ruins.
O conceito de "pessoa má" é nebuloso, ninguém sabe
direito o que é, mas todo mundo tem muita certeza sobre quem possui essa
característica, nessa mesma linha segue o meu raciocínio acerca de “ato mal”. Essas
definições são baseadas na moral pessoal de cada um, elas não são uma verdade
universal e imutável. As pessoas se baseiam muito no que acreditam ser o certo
e, mesmo que elas achem que o que estão fazendo não seja o moralmente correto
pra sua época, elas ainda tentam se justificar – e exemplos disso se vê aos
montes.
Em tempos de necessidade a sociedade se transforma completamente,
durante a era nazista muitos dos cidadãos “de bem”, em face da época, passaram
a agir como os “maus”, a agir do que, hoje, no conforto de uma era de paz,
percebemos como mal. No apartheid essa inversão do que é “certo” e “errado”
também aconteceu.
O que esses fatos tem em comum, e em comum com tantos outros, é que as pessoas agiram “errado” para se preservarem, porque acreditavam estarem certas e até mesmo pelo prazer de verem o caos. Nas primeiras duas alternativas é mais simples perceber as suas motivações, elas queriam sobreviver, em razão de seu instinto de sobrevivência, e/ou elas sentiam que aquilo que defendiam era correto. A última alternativa, bem, ela é o que se conhece por “ato ruim” que só pode vir de uma “pessoa ruim”, afinal, ela gosta de ver o caos (!). Ocorre que este prazer imoral é humano, é o traço da nossa espécie que é mais humano: é o nosso lado animal.
Assim, acho que a chave para entender o que é ser mal é a palavra “indiferença”. Esta pessoa “má”, eu concluo, é aquela que age por instinto, ela se guia pela recompensa da sensação de prazer, e é indiferente ao que é moral e ético.
Nós, sociedade, não gostamos de indiferença, e um bom exemplo disso é o fato de criarmos deuses e termos crenças, por simplesmente não suportarmos a ideia de que o mundo não dá a mínima para a nossa existência. Nós odiamos o indiferente, nós o rotulamos como mal e camuflamos seu significado, pois nós queremos nos afastar da ideia de que somos assim, de que nascemos do indiferente e de que morreremos nele. Não queremos lidar com o fato de que o indiferente é irracional e incontrolável, é uma verdade estampada na nossa cara.
Em suma, não queremos ser maus e nos afastamos de tudo que é indiferente, afinal, o pensamento majoritário é de que somente os animais, os insetos e os seres não civilizados, são indiferentes, assim pensamos, pois estes não possuem nossas regras, não possuem nossa sociedade, não são "complexos" como somos e são "inferiores" a nós, os vencedores da seleção natural.
Além do mais, acho que a sociedade também usa esse personagem incerto, naturalmente ruim, que está sempre à espreita, como uma forma de não encarar o fato de que ela pode agir de forma contrária ao que vê como correto, como forma de não se perceber de maneira negativa. Todos somos capazes de praticar coisas "ruins", somos falhos, agimos por instinto, instinto este que nos acompanha desde o nascimento, que é passado de geração pra geração através de nossa herança genética, que veio do nada e que pro nada voltará. Não há "mal", assim como não há "bem", nós criamos ambas as ideias, apenas.
O que esses fatos tem em comum, e em comum com tantos outros, é que as pessoas agiram “errado” para se preservarem, porque acreditavam estarem certas e até mesmo pelo prazer de verem o caos. Nas primeiras duas alternativas é mais simples perceber as suas motivações, elas queriam sobreviver, em razão de seu instinto de sobrevivência, e/ou elas sentiam que aquilo que defendiam era correto. A última alternativa, bem, ela é o que se conhece por “ato ruim” que só pode vir de uma “pessoa ruim”, afinal, ela gosta de ver o caos (!). Ocorre que este prazer imoral é humano, é o traço da nossa espécie que é mais humano: é o nosso lado animal.
Assim, acho que a chave para entender o que é ser mal é a palavra “indiferença”. Esta pessoa “má”, eu concluo, é aquela que age por instinto, ela se guia pela recompensa da sensação de prazer, e é indiferente ao que é moral e ético.
Nós, sociedade, não gostamos de indiferença, e um bom exemplo disso é o fato de criarmos deuses e termos crenças, por simplesmente não suportarmos a ideia de que o mundo não dá a mínima para a nossa existência. Nós odiamos o indiferente, nós o rotulamos como mal e camuflamos seu significado, pois nós queremos nos afastar da ideia de que somos assim, de que nascemos do indiferente e de que morreremos nele. Não queremos lidar com o fato de que o indiferente é irracional e incontrolável, é uma verdade estampada na nossa cara.
Em suma, não queremos ser maus e nos afastamos de tudo que é indiferente, afinal, o pensamento majoritário é de que somente os animais, os insetos e os seres não civilizados, são indiferentes, assim pensamos, pois estes não possuem nossas regras, não possuem nossa sociedade, não são "complexos" como somos e são "inferiores" a nós, os vencedores da seleção natural.
Além do mais, acho que a sociedade também usa esse personagem incerto, naturalmente ruim, que está sempre à espreita, como uma forma de não encarar o fato de que ela pode agir de forma contrária ao que vê como correto, como forma de não se perceber de maneira negativa. Todos somos capazes de praticar coisas "ruins", somos falhos, agimos por instinto, instinto este que nos acompanha desde o nascimento, que é passado de geração pra geração através de nossa herança genética, que veio do nada e que pro nada voltará. Não há "mal", assim como não há "bem", nós criamos ambas as ideias, apenas.
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Meditação 17
“Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma. Todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um pedaço de terra for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se tivesse perdido uma montanha ou a casa de um amigo, ou a tua própria. A morte de qualquer homem me diminui porque faço parte da humanidade. Por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti.”
- Jhon Donne
Quando eu tinha Um-mais-Vinte
Quando eu tinha um-mais-vinte
De um sábio homem ouvi:
“Dê coroas e libras e guinéus
Mas não dê teu coração;
Dê pérolas e rubis
Sem, contudo, perderes teus
ideais.”
Mas eu tinha um-mais-vinte,
Era inútil falar comigo.
Quando eu tinha um-mais-vinte,
Mais um conselho dele ouvi:
“ O coração fora do peito
Nunca foi dado em vão;
Isso foi pago com muitos
suspiros
E vendido por infindos pesares.”
E agora eu tenho
dois-mais-vinte,
E Ah, isso é verdade, isso é verdade.
(Tradução minha)
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