quinta-feira, 21 de maio de 2015

Indicação de série: My Mad Fat Diaries

     Para entrar no clima da série adolescente mais espetacular que já assisti, uma música da trilha sonora que fala muito sobre a personagem principal:



       My Mad Fat Diaries é baseada no livro autobiográfico de mesmo nome da autora Rae Earl (muito ansiosa pra comprá-lo!). A série britânica passou a ser exibida em 2013 pelo canal E4, mas só passei a assisti-lá por estar com tempo de sobra pra enfrentar meu preconceito com conteúdo adolescente, conceito que foi desconstruído já no primeiro episódio da série por a)Ser inovadora e b)Ter uma trilha sonora fantásssstica.
      A história original, do livro, se passa na década de 80, mas a série é ambientada na década de 90. E, preciso destacar isso: a impressão que o telespectador tem é de que voltou no tempo. Dá até pra sentir o clima úmido britânico do final do século 20.

      Além disso, a personagem principal é gorda e está aprendendo a lidar com toda a pressão que é viver numa sociedade que adora a magreza e a conformidade. É perceptível que a Rae, representada pela atriz Sharon Rooney sofre, mas não vive só de tristeza não, pelo contrário, ela é uma adolescente, ou seja, vive numa montanha russa emocional, às vezes no fundo do poço, às vezes no topo do universo. Ela é incrível, é profunda, engraçada, tem bom gosto e vê o mundo com uma perspectiva tão humana, sente medo, insatisfação, inveja, alegria, amor, raiva e age por impulso (pra caramba).
Archie, Chloe, Izzy, Chop, Finn (<3)

     Ademais, os personagens secundários são tão bem construídos quanto a Rae. A série tem o efeito surpresa. Por exemplo, alguém que você imagina que seja um figurante, de repente, se torna uma pessoa muito importante, e alguém que é muito importante pode não ser nada. Todos reagem com muita naturalidade, nenhum deles, até agora, enfrentou algo de uma forma idealizada, alias, as séries inglesas que mais gosto tem muito disso.

    Sério, corre lá pra assistir. Agora.


 MMFD tem duas temporadas, e a terceira já está sendo produzida mas, infelizmente, não há previsão de estreia :'(.

E ela resolveu escrever um conto

     Clarissa estava distraída naquele dia, talvez fosse o cansaço de um longo e produtivo dia de trabalho. ''Fiz a máquina capitalista rodar'', pensava enquanto via vitrines a caminho do restaurante com seus colegas de trabalho. Chegaram, sentou-se na mesa com os outros, observou o menu ''Tudo aqui é muito caro, deveria ter guardado mais dinheiro''.
- Olá, o que desejam?- perguntou o garçom.
- Uma xícara de café, obrigada.
   Em segundos o primeiro gole de seu café foi engolido.

- Sabe o que odeio? Indígenas. São um bando de estupradores alcoólatras, miseráveis e sem caráter, de vida fácil, sustentados pelo governo. Eu os atropelaria com meu carro!

     ''Quem disse isso?'', pensou. Risadas. Observou os rostos a sua volta voltados a um ponto em comum: Benício. Cada um dos espectadores carregava um olhar diferente. Uns riam, outros concordavam, e Clarissa.
- Benício, o ódio e o amor tem muito em comum, sabe por quê? É por que, se sentidos qualquer um deles em demasia a racionalidade é substituída, logo deixamos de ver as coisas com clareza e lógica, o que, no seu caso, atinge a sua percepção sobre a humanidade dos indígenas. Ainda, quando você diz algo assim, é subentendido que não há parentesco indígena dos que estão presentes? Talvez você não esteja familiarizado com a história, mas dentro das veias de qualquer brasileiro, e isso o inclui, corre o sangue indígena, que por estupro ou por amor fizeram possível essa nossa conversa. Em ambos os casos, a razão de não nos encontrarmos muito com nossos parentes é talvez por que estejam... mortos. E não mortos de velhice ou alcoolismo, mas assassinados, ou melhor, exterminados por pessoas não-indígenas. Olha, colega, a única coisa da sua afirmação que posso concordar é que eles são miseráveis, já que deles tomaram tudo, tanto a cultura quanto seus meios de sobrevivência. A vida deles é cheia de obstáculos, como, por exemplo, seus primeiros desafios estão entre: nascer e chegar aos 10 anos, já que uma grande parte morre por inanição nesse país. Toma vergonha, Benício!

      Quando Clarissa tomou a coragem de pôr para fora a indignação que sentia, o assunto já havia sido trocado. Agora falavam sobre motores de carros.

- Garçom, mais uma rodada!- disse Benício.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O vitimismo dos outros


  



 Na procura da felicidade os seres humanos tendem a se contentar com o conforto, tanto de suas ideias como de suas rotinas, e todo mundo tem um pouco disso. Entretanto, algumas pessoas se apegam tanto as suas convicções que não aceitam que hajam possibilidades diferentes, ou melhor, podem até enxergar isso, mas entram em estado de negação.
 Uma pessoa com muitas certezas pode até ser confrontada com argumentos, dados e fatos, mas vai dar um jeito de adaptá-los a sua perspectiva de vida. Esse tipo de pessoa pode ser vista no dia a dia, essa pessoa pode ser você. 
 O que mais retrata o exposto acima é o argumento usado por pessoas que tentam negar as injustiças sociais, ou melhor, os privilegiados (branco, heterossexuais, cis, classe média) de que os desprivilegiados (negros, indígenas, gays etc) se vitimizam ao mostrarem a dura realidade em que vivem.
 Os privilegiados não conseguem enxergar o que os outros sofrem porque a)é mais fácil assim e b)pois podem tirar benefícios da discriminação, como, por exemplo, o lucro ou inflar seus egos. Na primeira alternativa, o que vale é o conforto como forma de felicidade, ou melhor, de se ater a ideia de que todos podem conquistar o que quiserem, de acreditarem no karma social, já na segunda, a falsa crença de que são melhores que os ''vitimistas''.
 Os favorecidos sociais não brotaram do nada, assim como as desigualdades, há cunho histórico, e por serem tentados a ficar na inércia, eles não se interessam em enfrentar algo que afronte suas crenças, principalmente se os fatos que as confrontem sejam complexos.
 Sendo assim, ser uma pessoa favorecida é também fazer parte de um ideologia, e ser contra a maré de opiniões é um ato de coragem que afasta o ''agente do contra'' da maioria da sociedade, ou melhor, é desconfortável não fazer parte de algo e é necessário abrir a mente para sair da bolha ideológica que todos foram criados pra viver.

  

terça-feira, 5 de maio de 2015

O mundo não é justo, e isso pode ser algo bom!

  Nos ensinaram desde muito cedo que tudo o que fazemos de bom retornará a nós. 

   A crença no karma vem de religiões como o hinduísmo e o budismo, e está presente até nos ditados populares, como por exemplo: tudo o que vai volta, ou até: quem planta, colhe. O karma são as consequências das atitudes individuais, ou seja, se você fizer algo ruim, logo, a vida te dará algo ruim em troca. De acordo com essa crença, se aconteceu algo de muito errado, olhe para as suas atitudes, e procure nelas a razão da sua punição.
  Ademais, não sou uma daquelas pessoas que acreditam numa orquestra mística das atitudes humanas, quando uso a expressão karma, a sua interpretação não é divina. Quando você faz coisas que prejudicam os outros, talvez, se for descoberto, os outros irão tentar te prejudicar de volta, e não há nada de sobrenatural nessa situação. Entretanto, muitas pessoas levam o tal do ''tudo que vai, volta'' muito a sério, e chegam a acreditar que a vida é justa, que os maus são punidos e os bons premiados. E isso é uma grandessíssima balela. Por conseguinte, essa crença que, admito, pode ser vista de uma forma racional e positiva, mas pode também afetar negativamente quem a vê de forma mística. 
  Nesse ínterim, a psicologa Dorothy Dowe acredita que se culpar por algo que seja alheio a sua vontade pode te levar a depressão, que te impede de racionalizar o que está acontecendo na sua vida e te leva apenas a reagir. Sendo assim, reagir, se sentir culpado(a) pelo que você está sofrendo, atribuir os acontecimentos ruins da sua vida a algo que não pode ser controlado e se punir por isso, poderá te levar a loucura. 
  Ás vezes, coisas ruins acontecem por você tê-las provocado ou porque ''shit happens'', e há duas formas de reagir a isso a)o seu sofrimento pode ser pensado, racionalizado e superado ou b) você acreditará que merece tudo o que há de ruim e se deprimirá.  


  Por fim, coisas ruins sempre acontecerão mesmo que você viva de forma ilibada, o desafio começa com a forma como você escolhe lidar com os conflitos e, talvez com isso, você perceba que o que parecia assustador e não solucionável é, na verdade, um degrau para algo melhor. A vida não é justa, e isso nem sempre é ruim.


 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Abandoney mas voltey!

 Faz algum tempo que esqueci de publicar no blog e existem razões por trás disso: a)Ninguém Liga; b)Ando muito ocupada e c) Ninguém Liga. De qualquer modo, estou de volta- mesmo sem ninguém ligar- por motivo de: ando cheia de ideias na cabeça e quero colocá-las em algum canto. 

 Prosseguindo, para recomeçar meus posts separei umas músicas de uma das bandas mais sensacionais do planeta terra e da galáxia, a Oasis, essa banda maravilhosa que ressuscitou o rock britânico da década de 90 e perdurou até 2009 mesmo com as brigas constantes dos irmãos Gallagher.



Obs.: Tentei fazer um ''Top 3'' mas é impossível, então usei o sistema A-B-C sem música-melhor/música-pior, mas as letras que mais fazem sentido pra minha vida e o motivo de tê-las escolhido.


A) Música: She's Electric 
Motivo da Escolha: Essa letra lembra muito a minha família <3



B) Música: Supersonic
Motivo da Escolha: É o hino dos meus 17 anos fase nebulosa


C) Música: Live Forever
Motivo da Escolha: É uma música sobre uma pessoa percebendo a monotonia da vida, e todas essas filosofias baratas que eu adoro.