quinta-feira, 21 de maio de 2015

E ela resolveu escrever um conto

     Clarissa estava distraída naquele dia, talvez fosse o cansaço de um longo e produtivo dia de trabalho. ''Fiz a máquina capitalista rodar'', pensava enquanto via vitrines a caminho do restaurante com seus colegas de trabalho. Chegaram, sentou-se na mesa com os outros, observou o menu ''Tudo aqui é muito caro, deveria ter guardado mais dinheiro''.
- Olá, o que desejam?- perguntou o garçom.
- Uma xícara de café, obrigada.
   Em segundos o primeiro gole de seu café foi engolido.

- Sabe o que odeio? Indígenas. São um bando de estupradores alcoólatras, miseráveis e sem caráter, de vida fácil, sustentados pelo governo. Eu os atropelaria com meu carro!

     ''Quem disse isso?'', pensou. Risadas. Observou os rostos a sua volta voltados a um ponto em comum: Benício. Cada um dos espectadores carregava um olhar diferente. Uns riam, outros concordavam, e Clarissa.
- Benício, o ódio e o amor tem muito em comum, sabe por quê? É por que, se sentidos qualquer um deles em demasia a racionalidade é substituída, logo deixamos de ver as coisas com clareza e lógica, o que, no seu caso, atinge a sua percepção sobre a humanidade dos indígenas. Ainda, quando você diz algo assim, é subentendido que não há parentesco indígena dos que estão presentes? Talvez você não esteja familiarizado com a história, mas dentro das veias de qualquer brasileiro, e isso o inclui, corre o sangue indígena, que por estupro ou por amor fizeram possível essa nossa conversa. Em ambos os casos, a razão de não nos encontrarmos muito com nossos parentes é talvez por que estejam... mortos. E não mortos de velhice ou alcoolismo, mas assassinados, ou melhor, exterminados por pessoas não-indígenas. Olha, colega, a única coisa da sua afirmação que posso concordar é que eles são miseráveis, já que deles tomaram tudo, tanto a cultura quanto seus meios de sobrevivência. A vida deles é cheia de obstáculos, como, por exemplo, seus primeiros desafios estão entre: nascer e chegar aos 10 anos, já que uma grande parte morre por inanição nesse país. Toma vergonha, Benício!

      Quando Clarissa tomou a coragem de pôr para fora a indignação que sentia, o assunto já havia sido trocado. Agora falavam sobre motores de carros.

- Garçom, mais uma rodada!- disse Benício.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O vitimismo dos outros


  



 Na procura da felicidade os seres humanos tendem a se contentar com o conforto, tanto de suas ideias como de suas rotinas, e todo mundo tem um pouco disso. Entretanto, algumas pessoas se apegam tanto as suas convicções que não aceitam que hajam possibilidades diferentes, ou melhor, podem até enxergar isso, mas entram em estado de negação.
 Uma pessoa com muitas certezas pode até ser confrontada com argumentos, dados e fatos, mas vai dar um jeito de adaptá-los a sua perspectiva de vida. Esse tipo de pessoa pode ser vista no dia a dia, essa pessoa pode ser você. 
 O que mais retrata o exposto acima é o argumento usado por pessoas que tentam negar as injustiças sociais, ou melhor, os privilegiados (branco, heterossexuais, cis, classe média) de que os desprivilegiados (negros, indígenas, gays etc) se vitimizam ao mostrarem a dura realidade em que vivem.
 Os privilegiados não conseguem enxergar o que os outros sofrem porque a)é mais fácil assim e b)pois podem tirar benefícios da discriminação, como, por exemplo, o lucro ou inflar seus egos. Na primeira alternativa, o que vale é o conforto como forma de felicidade, ou melhor, de se ater a ideia de que todos podem conquistar o que quiserem, de acreditarem no karma social, já na segunda, a falsa crença de que são melhores que os ''vitimistas''.
 Os favorecidos sociais não brotaram do nada, assim como as desigualdades, há cunho histórico, e por serem tentados a ficar na inércia, eles não se interessam em enfrentar algo que afronte suas crenças, principalmente se os fatos que as confrontem sejam complexos.
 Sendo assim, ser uma pessoa favorecida é também fazer parte de um ideologia, e ser contra a maré de opiniões é um ato de coragem que afasta o ''agente do contra'' da maioria da sociedade, ou melhor, é desconfortável não fazer parte de algo e é necessário abrir a mente para sair da bolha ideológica que todos foram criados pra viver.

  

terça-feira, 5 de maio de 2015

O mundo não é justo, e isso pode ser algo bom!

  Nos ensinaram desde muito cedo que tudo o que fazemos de bom retornará a nós. 

   A crença no karma vem de religiões como o hinduísmo e o budismo, e está presente até nos ditados populares, como por exemplo: tudo o que vai volta, ou até: quem planta, colhe. O karma são as consequências das atitudes individuais, ou seja, se você fizer algo ruim, logo, a vida te dará algo ruim em troca. De acordo com essa crença, se aconteceu algo de muito errado, olhe para as suas atitudes, e procure nelas a razão da sua punição.
  Ademais, não sou uma daquelas pessoas que acreditam numa orquestra mística das atitudes humanas, quando uso a expressão karma, a sua interpretação não é divina. Quando você faz coisas que prejudicam os outros, talvez, se for descoberto, os outros irão tentar te prejudicar de volta, e não há nada de sobrenatural nessa situação. Entretanto, muitas pessoas levam o tal do ''tudo que vai, volta'' muito a sério, e chegam a acreditar que a vida é justa, que os maus são punidos e os bons premiados. E isso é uma grandessíssima balela. Por conseguinte, essa crença que, admito, pode ser vista de uma forma racional e positiva, mas pode também afetar negativamente quem a vê de forma mística. 
  Nesse ínterim, a psicologa Dorothy Dowe acredita que se culpar por algo que seja alheio a sua vontade pode te levar a depressão, que te impede de racionalizar o que está acontecendo na sua vida e te leva apenas a reagir. Sendo assim, reagir, se sentir culpado(a) pelo que você está sofrendo, atribuir os acontecimentos ruins da sua vida a algo que não pode ser controlado e se punir por isso, poderá te levar a loucura. 
  Ás vezes, coisas ruins acontecem por você tê-las provocado ou porque ''shit happens'', e há duas formas de reagir a isso a)o seu sofrimento pode ser pensado, racionalizado e superado ou b) você acreditará que merece tudo o que há de ruim e se deprimirá.  


  Por fim, coisas ruins sempre acontecerão mesmo que você viva de forma ilibada, o desafio começa com a forma como você escolhe lidar com os conflitos e, talvez com isso, você perceba que o que parecia assustador e não solucionável é, na verdade, um degrau para algo melhor. A vida não é justa, e isso nem sempre é ruim.


 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Abandoney mas voltey!

 Faz algum tempo que esqueci de publicar no blog e existem razões por trás disso: a)Ninguém Liga; b)Ando muito ocupada e c) Ninguém Liga. De qualquer modo, estou de volta- mesmo sem ninguém ligar- por motivo de: ando cheia de ideias na cabeça e quero colocá-las em algum canto. 

 Prosseguindo, para recomeçar meus posts separei umas músicas de uma das bandas mais sensacionais do planeta terra e da galáxia, a Oasis, essa banda maravilhosa que ressuscitou o rock britânico da década de 90 e perdurou até 2009 mesmo com as brigas constantes dos irmãos Gallagher.



Obs.: Tentei fazer um ''Top 3'' mas é impossível, então usei o sistema A-B-C sem música-melhor/música-pior, mas as letras que mais fazem sentido pra minha vida e o motivo de tê-las escolhido.


A) Música: She's Electric 
Motivo da Escolha: Essa letra lembra muito a minha família <3



B) Música: Supersonic
Motivo da Escolha: É o hino dos meus 17 anos fase nebulosa


C) Música: Live Forever
Motivo da Escolha: É uma música sobre uma pessoa percebendo a monotonia da vida, e todas essas filosofias baratas que eu adoro.


sábado, 3 de maio de 2014

O amor é artigo de luxo?


* Essa banda ainda fica pasma quando as pessoas compreendem essa música como algo romântico


Assim que conseguimos entender um pouco do mundo a nossa volta, lá na infância , começamos a compreender que existe essa coisa maravilhoso pelas coisas a nossa volta, e um dia nos ensinam que isso é sentir. Depois experimentamos a raiva, a inveja, a paixão e então nos falam sobre o tal do amor. Esperamos com tanta ansiedade a chegada do primeiro amor, ficamos obcecados com a ideia de amar. Ouvimos músicas depressivas, assistimos filmes dramáticos, lemos livros épicos e tudo o que pensamos é que um dia será a nossa vez, tudo isso misturado com muito hormônio adolescente, claro.

Amar é algo que vai se diluindo com a nossa idade, ele é simples e esta ali o tempo todo e na medida em que o tempo passa, nós vamos sendo educados de uma forma que nos impossibilita de vê-lo a todo momento e isso nos deixa um tanto ranzinzas.

O que estragou toda essa ideia de amor, como diz Osho, é que fomos muito educados quanto a ele. Colocaram o amor numa forma e nos ensinaram que ele só é verdadeiro se for de determinada maneira, e se você o encontra em algum ponto fora dessa forma, em alguns casos, você chega a ser punido. Afinal, como é amar? Será que você já amou? Acho que é algo tão simples, que é ridículo acreditar que seja assim, então colocamos limites e regras, a ideia de amor chega a nos controlar. Não queremos simplicidade, queremos drama. Queremos amor com barreiras, queremos provar que ele é original. O amor é quase uma grife!

 Por causa desse desejo incontrolável de se amar alguém, muitas vezes nós fazemos o seguinte: vemos as outras pessoas de uma forma muito generalizada e passamos a controlar seus passos, todos tem que entender o que é o amor na forma exata como vemos. E essa ideia é difundida e muito bem aceita a décadas e décadas, nós romantizamos a possessão ao sentimento dos outros e de seus corpos.

 O que nos ensinam que é amor, é algo tão ínfimo, que passamos a acreditar que tudo o que não está nessa forma está errado e fazemos o possível para reprimir isso.

 Não sou expert, mas talvez ele comece dentro de nós mesmos, nos aceitando com defeitos e qualidades, então só depois notaremos que somos seres únicos. Compreender que os outros também são únicos e que é necessário respeitar essas diferenças que existem entre os seres humanos é crucial. Amar a si, no meu ponto de vista, é o primeiro degrau para entender e vivenciar o amor, sem restrições. Afinal, é impossível amar aos outros quando nem você se gosta.

 Amar é algo plural e aceitar isso, ver que cada um é livre para sentir vai abrir seus olhos para uma grande descoberta: o amor é o oposto de ter. Em nome do amor você pode ir contra o mundo, e passa a tentar espalhar essa semente, o que vai irritar a maioria das pessoas.

 É difícil ir contra o que todo mundo aprendeu desde criança, é impossível mudar toda a realidade sozinho, mas é possível mudar a vida ao seu redor com um pouco do amor puro. O amor puro é ver que não há necessidade pra tanto egoísmo, fica mais fácil se pôr no lugar dos outros e fica mais fácil conviver em sociedade. Amar só faz bem.