quinta-feira, 7 de maio de 2015

O vitimismo dos outros


  



 Na procura da felicidade os seres humanos tendem a se contentar com o conforto, tanto de suas ideias como de suas rotinas, e todo mundo tem um pouco disso. Entretanto, algumas pessoas se apegam tanto as suas convicções que não aceitam que hajam possibilidades diferentes, ou melhor, podem até enxergar isso, mas entram em estado de negação.
 Uma pessoa com muitas certezas pode até ser confrontada com argumentos, dados e fatos, mas vai dar um jeito de adaptá-los a sua perspectiva de vida. Esse tipo de pessoa pode ser vista no dia a dia, essa pessoa pode ser você. 
 O que mais retrata o exposto acima é o argumento usado por pessoas que tentam negar as injustiças sociais, ou melhor, os privilegiados (branco, heterossexuais, cis, classe média) de que os desprivilegiados (negros, indígenas, gays etc) se vitimizam ao mostrarem a dura realidade em que vivem.
 Os privilegiados não conseguem enxergar o que os outros sofrem porque a)é mais fácil assim e b)pois podem tirar benefícios da discriminação, como, por exemplo, o lucro ou inflar seus egos. Na primeira alternativa, o que vale é o conforto como forma de felicidade, ou melhor, de se ater a ideia de que todos podem conquistar o que quiserem, de acreditarem no karma social, já na segunda, a falsa crença de que são melhores que os ''vitimistas''.
 Os favorecidos sociais não brotaram do nada, assim como as desigualdades, há cunho histórico, e por serem tentados a ficar na inércia, eles não se interessam em enfrentar algo que afronte suas crenças, principalmente se os fatos que as confrontem sejam complexos.
 Sendo assim, ser uma pessoa favorecida é também fazer parte de um ideologia, e ser contra a maré de opiniões é um ato de coragem que afasta o ''agente do contra'' da maioria da sociedade, ou melhor, é desconfortável não fazer parte de algo e é necessário abrir a mente para sair da bolha ideológica que todos foram criados pra viver.

  

terça-feira, 5 de maio de 2015

O mundo não é justo, e isso pode ser algo bom!

  Nos ensinaram desde muito cedo que tudo o que fazemos de bom retornará a nós. 

   A crença no karma vem de religiões como o hinduísmo e o budismo, e está presente até nos ditados populares, como por exemplo: tudo o que vai volta, ou até: quem planta, colhe. O karma são as consequências das atitudes individuais, ou seja, se você fizer algo ruim, logo, a vida te dará algo ruim em troca. De acordo com essa crença, se aconteceu algo de muito errado, olhe para as suas atitudes, e procure nelas a razão da sua punição.
  Ademais, não sou uma daquelas pessoas que acreditam numa orquestra mística das atitudes humanas, quando uso a expressão karma, a sua interpretação não é divina. Quando você faz coisas que prejudicam os outros, talvez, se for descoberto, os outros irão tentar te prejudicar de volta, e não há nada de sobrenatural nessa situação. Entretanto, muitas pessoas levam o tal do ''tudo que vai, volta'' muito a sério, e chegam a acreditar que a vida é justa, que os maus são punidos e os bons premiados. E isso é uma grandessíssima balela. Por conseguinte, essa crença que, admito, pode ser vista de uma forma racional e positiva, mas pode também afetar negativamente quem a vê de forma mística. 
  Nesse ínterim, a psicologa Dorothy Dowe acredita que se culpar por algo que seja alheio a sua vontade pode te levar a depressão, que te impede de racionalizar o que está acontecendo na sua vida e te leva apenas a reagir. Sendo assim, reagir, se sentir culpado(a) pelo que você está sofrendo, atribuir os acontecimentos ruins da sua vida a algo que não pode ser controlado e se punir por isso, poderá te levar a loucura. 
  Ás vezes, coisas ruins acontecem por você tê-las provocado ou porque ''shit happens'', e há duas formas de reagir a isso a)o seu sofrimento pode ser pensado, racionalizado e superado ou b) você acreditará que merece tudo o que há de ruim e se deprimirá.  


  Por fim, coisas ruins sempre acontecerão mesmo que você viva de forma ilibada, o desafio começa com a forma como você escolhe lidar com os conflitos e, talvez com isso, você perceba que o que parecia assustador e não solucionável é, na verdade, um degrau para algo melhor. A vida não é justa, e isso nem sempre é ruim.


 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Abandoney mas voltey!

 Faz algum tempo que esqueci de publicar no blog e existem razões por trás disso: a)Ninguém Liga; b)Ando muito ocupada e c) Ninguém Liga. De qualquer modo, estou de volta- mesmo sem ninguém ligar- por motivo de: ando cheia de ideias na cabeça e quero colocá-las em algum canto. 

 Prosseguindo, para recomeçar meus posts separei umas músicas de uma das bandas mais sensacionais do planeta terra e da galáxia, a Oasis, essa banda maravilhosa que ressuscitou o rock britânico da década de 90 e perdurou até 2009 mesmo com as brigas constantes dos irmãos Gallagher.



Obs.: Tentei fazer um ''Top 3'' mas é impossível, então usei o sistema A-B-C sem música-melhor/música-pior, mas as letras que mais fazem sentido pra minha vida e o motivo de tê-las escolhido.


A) Música: She's Electric 
Motivo da Escolha: Essa letra lembra muito a minha família <3



B) Música: Supersonic
Motivo da Escolha: É o hino dos meus 17 anos fase nebulosa


C) Música: Live Forever
Motivo da Escolha: É uma música sobre uma pessoa percebendo a monotonia da vida, e todas essas filosofias baratas que eu adoro.


sábado, 3 de maio de 2014

O amor é artigo de luxo?


* Essa banda ainda fica pasma quando as pessoas compreendem essa música como algo romântico


Assim que conseguimos entender um pouco do mundo a nossa volta, lá na infância , começamos a compreender que existe essa coisa maravilhoso pelas coisas a nossa volta, e um dia nos ensinam que isso é sentir. Depois experimentamos a raiva, a inveja, a paixão e então nos falam sobre o tal do amor. Esperamos com tanta ansiedade a chegada do primeiro amor, ficamos obcecados com a ideia de amar. Ouvimos músicas depressivas, assistimos filmes dramáticos, lemos livros épicos e tudo o que pensamos é que um dia será a nossa vez, tudo isso misturado com muito hormônio adolescente, claro.

Amar é algo que vai se diluindo com a nossa idade, ele é simples e esta ali o tempo todo e na medida em que o tempo passa, nós vamos sendo educados de uma forma que nos impossibilita de vê-lo a todo momento e isso nos deixa um tanto ranzinzas.

O que estragou toda essa ideia de amor, como diz Osho, é que fomos muito educados quanto a ele. Colocaram o amor numa forma e nos ensinaram que ele só é verdadeiro se for de determinada maneira, e se você o encontra em algum ponto fora dessa forma, em alguns casos, você chega a ser punido. Afinal, como é amar? Será que você já amou? Acho que é algo tão simples, que é ridículo acreditar que seja assim, então colocamos limites e regras, a ideia de amor chega a nos controlar. Não queremos simplicidade, queremos drama. Queremos amor com barreiras, queremos provar que ele é original. O amor é quase uma grife!

 Por causa desse desejo incontrolável de se amar alguém, muitas vezes nós fazemos o seguinte: vemos as outras pessoas de uma forma muito generalizada e passamos a controlar seus passos, todos tem que entender o que é o amor na forma exata como vemos. E essa ideia é difundida e muito bem aceita a décadas e décadas, nós romantizamos a possessão ao sentimento dos outros e de seus corpos.

 O que nos ensinam que é amor, é algo tão ínfimo, que passamos a acreditar que tudo o que não está nessa forma está errado e fazemos o possível para reprimir isso.

 Não sou expert, mas talvez ele comece dentro de nós mesmos, nos aceitando com defeitos e qualidades, então só depois notaremos que somos seres únicos. Compreender que os outros também são únicos e que é necessário respeitar essas diferenças que existem entre os seres humanos é crucial. Amar a si, no meu ponto de vista, é o primeiro degrau para entender e vivenciar o amor, sem restrições. Afinal, é impossível amar aos outros quando nem você se gosta.

 Amar é algo plural e aceitar isso, ver que cada um é livre para sentir vai abrir seus olhos para uma grande descoberta: o amor é o oposto de ter. Em nome do amor você pode ir contra o mundo, e passa a tentar espalhar essa semente, o que vai irritar a maioria das pessoas.

 É difícil ir contra o que todo mundo aprendeu desde criança, é impossível mudar toda a realidade sozinho, mas é possível mudar a vida ao seu redor com um pouco do amor puro. O amor puro é ver que não há necessidade pra tanto egoísmo, fica mais fácil se pôr no lugar dos outros e fica mais fácil conviver em sociedade. Amar só faz bem.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Cadeia neles! Sobre a Redução da Maioridade Penal


Desde que a internet entrou na minha vida, e na vida de outras milhares de pessoas, a vontade de dizer o que pensa foi ficando cada vez mais desinibida, a informação é rápida e sem fontes e nossa opinião é formada através disso. Esse acesso a informação que a internet propõe é usado também para mostrar fatos ruins, um desses fatos é a violência, a violência cometida por menores de 18 anos. 




Dizem por aí que bom era antigamente, que ninguém passava a mão na cabeça de bandido, e que hoje em dia o Estado não pune ninguém como antigamente (<3), e ainda deixa esses jovens vagabundos ouvidores de funk sem fone de ouvido e menores de idade roubarem as pessoas de bem que só querem ir pro trabalho. A solução, dizem, é reduzir a maioridade penal e o argumento que fundamenta isso é o seguinte: ''Se tem idade pra (insira violência aqui), tem idade pra ser preso.''
E quando há algum contra-argumento a resposta dada é: '' Nunca aconteceu com você. Talvez se você for (insira violência hedionda), aí mudaria de opinião.''. 
O senso comum acredita que a justiça deve andar de mãos dadas com a vingança e o Estado deve sujar as mãos de sangue, e que essa seria a solução para o problema, depois disso o mundo voltaria a ser cor-de-rosa. Se basear nessa ideia de que a violência deve ser combatida com violência, não haveriam crimes hoje em dia, já que na Idade Média as pessoas eram punidas e sem direito a se defender. O que acontece, por mais espantoso que seja, nas favelas brasileiras atualmente, uma jusvingança  com pena de morte e direito a show em praça pública! Lá é o sonho de qualquer pessoa que odeia ''vagabundo'', já que lá não tem idade pra julgamento. Morre velho e morre criança, sem distinção, um espetáculo de igualdade e justiça.
 
É complicado pra muita gente entender que o crime é um problema social, é um problema que tem a ver com desigualdade, racismo e gênero.  As coisas não se resolvem com mágica, essas pessoas vivem num mundo de fantasia, o problema é muito mais complexo e se todos abrirem 1cm de mente, a coisa vai melhorar, e talvez ao obter mais informação (real) do Brasil, ajude nessa construção ou mudança de opinião.

Vamos aos fatos:
1. A redução da maioridade penal não funcionou em 54 países. Leia aqui

2 .O sistema carcerário brasileiro é uma farsa, ele não reintegra a pessoa na sociedade, ele faz o que o senso comum ama: vingança. Esse método não funciona e a prova de sua existência é a reincidência dos presos. Leia Mais

3. O artigo 228 da Constituição Federal, nossa lei maior e protetora dos nossos direitos e reguladora do poder do Estado em nossas vidas , diz o seguinte:

Artigo 228. “São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial.”

A doutrina e jurisprudência não resumem os direitos e garantias fundamentais somente ao artigo 5º , e isso esta previsto no próprio artigo:

Art. 5º. “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

2º. Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
 
E, sendo assim, o artigo 228 é uma extensão interpretativa do artigo 5º, e este é tido como cláusula pétrea e qualquer tentativa de reformulação pra reduzir a maioridade penal é inconstitucional.

4. Há métodos mais eficientes para que a sociedade brasileira se torne mais pacífica, então dá uma olhadinha nesse sistema carcerário de um país de primeiro mundo:
Vista parcial das celas e da fachada da prisão holandesa

*** LEIA AQUI

5. Jovens infratores representam 1% dos crimes no Brasil. Fonte

6. Apenas 3% dos crimes cometidos por esse 1% de jovens infratores, é grave. Fonte

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O sistema carcerário tem o dever de reintegrar o infrator, e não é isso o que acontece. Ignorar o problema e mascará-lo com pré-conceitos e jogar jovens na cadeia não vai levar os índices de violência a lugar algum. Mudar de opinião só dói no ego, mesmo. Questione as suas verdades absolutas e pense nos outros, ninguém rouba pq é malvado desde que nasceu, isso é um absurdo, é filosofia ultrapassada. As pessoas erram pois o contexto de suas vidas interferem no modo como essa pessoa age e jogá-las aos leões e não dá-las a oportunidade de ver que a vida pode ser diferente é cruel. É muito fácil ser a favor da redução no conforto da sua casa, debaixo do ar condicionado, o difícil é perceber que você está na zona de conforto enquanto a maioria da sociedade paga o preço por ter nascido pobre. Como diz Brecht: ''Nada deve parecer impossível de mudar'' e essa foi a minha pequena contribuição, vai que alguém se indigna junto comigo?!