quarta-feira, 12 de outubro de 2016

PEC 241: A solução perfeita para os privilegiados


Hoje tive a infelicidade de encontrar com uma galera que está de acordo com a PEC 241, de me deparar com pessoas que não entendem que a saúde é um DIREITO previsto na Constituição Federal (não um "gasto") e de ter que lidar com gente que ainda não percebeu (e não procurou perceber) que há SIM outras formas de estabilizar a economia brasileira, de forma que ela não seja esse clichê de sempre atingir aos menos favorecidos.

Pra todo esse povo que encontrei, quero dizer que a reação a essa PEC 241 não é apenas uma "esteria coletiva", mas uma solução fajuta (quiçá inconstitucional), que vai atingir as pessoas que menos precisam ser atingidas. Essa ideia de meia tigela vai tornar o investimento nas áreas de educação e saúde em algo extremamente burocrático, por VINTE ANOS, uma vez que terá que diminuir os gastos de outros setores, que estarão com os seus "tetos de investimento" já estipulados. Afinal, como prever os investimentos em áreas cruciais por tanto tempo? Podem acontecer imprevistos... imprevistos estes que terão que esperar a boa vontade do sistema (no caso da saúde a epidemia do Zika vírus, por exemplo).

Ademais, você aí que concorda com a PEC já se perguntou o que aconteceria se o Brasil passasse a arrecadar menos dinheiro e tivesse que continuar mantendo os investimentos no valor que estavam em tempos dourados? Já pensou se o país quebra pq uns políticos deram uma de João Bidu com os investimentos públicos apenas pra manterem os ricos ricos?

E, para aqueles que continuam caindo no conto do Temer, aqui estão algumas soluções mais HUMANAS que o governo poderia, sei lá... cogitar! : (a) Controle e redução imediata das desonerações concedidas a diversos setores da economia brasileira ao longo dos últimos anos (b) Respeito ao teto salarial estabelecido na Constituição, com a aprovação imediata do PL 3123/2015, diminuição do número de deputados federais, estaduais e vereadores, (c) Adiamento do reajuste de servidores públicos das carreiras mais bem remuneradas e (d) Tributação de renda progressiva [4].

Com isso, acho que resta EVIDENTE que o mais pobre não tem sempre que pagar o pato, como o governo atual quer que você creia. O que foi apresentado (pec), meus amigos, é solução apenas para aqueles que não querem ter seus privilégios podados e significa mais problemas para todo o resto do país.

Ah, e antes de terminar o texto, é preciso ressaltar que o Conselho Nacional de Saúde (CNS), o Conselho Nacional de Secretarias Estaduais de Saúde e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde anunciaram que a PEC representa apenaxxx: a MORTE do SUS (+_+).



fontes:
1. PEC 241 na íntegra:http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1468431&filename=PEC+241/2016
2. Constituição Federativa do Brasil (art. 196 a 200) Link:http://conselho.saude.gov.br/web_sus20anos/20anossus/legislacao/constituicaofederal.pdf
3. http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37603414
4. http://jota.uol.com.br/pec-241-levando-justificativas-serio
5. http://super.abril.com.br/cotidiano/pec-241-a-gente-explica-o-teto-de-gastos-tintim-por-tintim?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super
6. http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/10/saude-pode-ter-perdas-bilionarias-com-pec-do-teto-avaliam-entidades.html

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Crítica v Problematização


  Preciso confessar que eu adoro ter razão sobre as coisas, qualquer coisa, mas principalmente filmes, séries e comida! E a minha maior alegria é quando eu consigo rebater um argumento de forma que meu adversário entenda o meu ponto de vista, de forma que ele não queira, posteriormente, colocar meu nome na boca de uma sapo, costurá-lo e arremessá-lo dentro da minha casa.

  Pois bem, estava eu surfando nesse mar de informação que é a internet quando me deparei  com um canal no youtube chamado CinemaSins (por favor, assistam), que teve a CO-RA-GI (!) de encontrar erros de roteiro, sequencia e filmagem em filmes que eu amo. Contudo, não fiquei brava com essa situação chata, na verdade, eu me inscrevi no referido canal para a) receber vídeos de uma pessoa mostrando pra mim tudo o que eu deixei passar num filme porque eu estava ocupada demais me divertindo, b) porque é divertido obter pontos de vista distintos sobre um assunto que eu amo, c) porque eu gosto de ter meu ego desafiado e d) porque tenho hobbies esquisitos. Devo estar parecendo muito esquisita pra você, nesse momento, huh?

  Após ter assistido ao canal acima referido, me voltei para a rede social Facebook e no meu feed apareceu um texto do BuzzFeed acerca da feminilização de personagens nas "telonas" e nas "telinhas", com isso, cliquei no link que me dirigiu ao artigo e o li, li também os comentários, pensei em suicídio, reclamei no twitter e vim correndo escrever esse texto às 07:14 da manhã de uma sexta-feira, porque sim.  Enfim, o que eu quero dizer nesse parágrafo, é que aquele texto me deixou muito irritada com a pessoa que o escreveu, mas principalmente com a pessoa que o traduziu e permitiu que ele fosse espalhado na internet e recebesse likes de brasileiros por motivos de: textão problematizador.

  Já reclamei aqui no meu blog, implícita e explicitamente, diversas vezes, sobre os justiceiros sociais, mas caso você não queira ler sobre as minhas reclamações anteriores: justiceiros sociais são uma nova espécie de ser humano que nasceu nos EUA a poucos anos atrás e está, muito recentemente, se proliferando no Brasil. Ressalto que essa espécie é cheia de normas que se adaptam ao momento, à discussão, ao bel prazer do opinador, e está dominando a argumentação de pessoas de esquerda. Além disso, sua forma de reprodução se dá através de "textões problematizadores", mas já está evoluindo para a reprodução por outras mídias.

  A problematização é um gênero não apenas de reprodução dos justiceiros, mas como também uma forma de se viver, é quase como uma religião, na verdade, é um aspecto da neo-esquerda. Ela funciona assim: você vê uma personagem feminina sendo vestida por personagens masculinos numa série, ignora todo o contexto e coloca essa situação como um problema a ser resolvido. Simples, não? Pois qualquer pessoa pode fazer isso, desde que seja um agente de esquerda, e dependendo da sua aparência física, você tem ainda mais vivencia, ou melhor, direito de "problematizar".

  Diferente da crítica, a problematização não tenta ser coerente, não tenta ser imparcial e se importa muito com a vida pregressa de seu interlocutor. Na problematização, se você for negro, você tem mais direito de falar sobre o direito dos negros do que um asiático, mesmo que aquele fale coisas como "supremacia racial negra" e o segundo fale sobre o racismo sofrido pelo negro de forma menos louca. Assim, caso o asiático tenha coragem de questionar o negro, ele seria acusado de de tentar "silenciá-lo" e de "tentar roubar o protagonismo", ambos termos muito subjetivos para explicar aqui.

  Antes que eu me esqueça: caso haja um justiceiro problematizador lendo esse texto, preciso informar que isso cabe a você, essa carapuça é sua, portanto, vista e não tente me acusar de "racismo" por algo que se aplica apenas a espécie justiceira/lugar de fala/ideologia antes de fatos, e caso você não seja um justiceiro, preciso informar que coloquei esse paragrafo porque essas pessoas tem uma forte tendencia de não interpretarem as coisas muito bem.

   Prosseguindo:

  Problematização é uma ferramenta utilizada por pessoas que querem que você se sinta errado, estúpido e preconceituoso e não se importam em rebaixar seu argumento baseado unicamente no seu gênero, na sua fisionomia ou no seu status social. 

   A problematização não é um jogo limpo, é uma arma ideológica que não deve ser utilizada por questões de segurança, porque por mais que ela pareça estar fazendo o bem, ela não está, considerando que o bem é algo muito subjetivo: para o meu tio é exterminar todos os bandidos, para algumas feministas é cortar o pênis de estupradores, para alguns é combater ditaduras e para outros é censurar o vocabulário das pessoas de forma a evitar ferir o sentimento das minorias políticas.

   A problematização, tão orgulhosamente ostentada por boa parte da nova esquerda, tão utilizada em seus """debates""", se bem analisada, é muito parecida com o tipo de argumentação utilizada pelas pessoas a quem eles tanto combatem, com as pessoas de direita que manipulam dados a seu favor e julgam o interlocutor pela aparência, só que, no caso destes, eles não tem um nome para isso. Devo parabenizar a esquerda nova por dar nome a algo que eu odeio?

  A crítica, pelo contrário, é aquela mania maravilhosa de algumas pessoas de tentar chegar a uma verdade, mesmo que ela desagrade, de expressar uma opinião baseada em fatos, sem valorar seu interlocutor sem ligar para a ideologia que ele carrega. 

  Sejam críticos, analisem tudo, questionem-se, procurem os fatos, utilizem a hermenêutica, não caiam na argumentação puramente ideológica da problematização, não se ofendam com a verdade. Vou até chutar aqui que, no momento em que a neo-esquerda perceber que não está adquirindo pessoas pensantes a seus movimentos e que não está sendo levada a sério por causa das problematizações, o mundo vai dar um passo para frente.

  Fim.
  

domingo, 7 de agosto de 2016

Uma mentira contada várias vezes


  Eu, ocasionalmente, me lembro de situações que ocorreram comigo de uma forma bem vívida, e isso depende de alguns estímulos externos. O que são esses estímulos externos?, você me pergunta. Ora, ora, estímulos externos são aquelas coisas que acontecem no cotidiano que te fazem lembrar do passado, por exemplo, quando você tropeça e lembra daquela época em que você perdeu o topo do seu dedão do pé enquanto brincava de pega-pega na escola.

  Sempre acreditei, desde criancinha, que eu deveria dar um valor muito grande às minhas memórias, que todo momento da minha vida era muito precioso e, apesar disso parecer muito complexo para o raciocínio de uma criançola, como prova do que eu estou falando, eu sempre fazia aquelas caixinhas de lembrança, inclusive eu tive uma caixinha em que eu deixava cartas às Alines futuras, com instruções sobre a vida, eu entendia que fazer aquilo era como viajar no tempo!

  Pois bem, uma das memórias que mais frequentemente aparecem nos meus flash backs cotidianos datam de quando eu tinha por volta dos 7 anos de idade, quando um parente meu me contou uma mentira e, mesmo eu sabendo, com certeza, que era uma mentira, ele me contou tão bem e insistiu tanto que era verdade, que eu duvidei de mim mesma e comecei a chorar. No caso, esse familiar me disse que eu tinha nascido de uma forma não-convencional, cujo os detalhes não merecem atenção, agora.


  Afinal, o que aquela memória tem a me ensinar? Formulei uma teoria: ela me ensina algo diferente a cada hora, a cada estímulo externo. Atualmente, ela está me ensinando a colocar mais fé em mim mesma, a não ceder, a confiar na minha capacidade. Veja só, nosso cérebro está sempre um passo a frente da nossa consciência. Bem motivacional essa memória, não? 

  
  Talvez seja aquela crise dos vinte anos de idade que está me atingindo com força, talvez seja uma ansiedade pelo-amor-de-deus passageira, mas eu estou mais propensa a acreditar no Papai Noel do que na minha inteligência, no que se refere a manejar a minha vida, e aquela Aline de 7 anos finalmente conseguiu! Ela deu conta de atravessar as barreiras físicas que impedem a viajem temporal , apenas e somente, pra me dar uma lição de moral das boas. Típico daquela senhora corretinha! Ela sabe o quanto eu ainda preciso dela, ela tem muito a me ensinar...

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Para os intelectualóides: A importância das trivialidades


 Comecemos pelo significado de trivial: Segundo Silveira Bueno (2001), trivial é um adjetivo, sinônimo de fútil, significa algo que é ordinário, sendo a trivialidade, a qualidade dessa palavra.

 Das conclusões filosóficas de grandes intelectuais modernos às massas há um consenso: o que é trivial é ruim e deve ser evitado! A razão disso tudo? É que essas coisas ordinárias impedem que a mentalidade humana, as sensações, (algo culto), atinja sua plena capacidade.

 É notável que a inclinação dos pensadores, que coloca a trivialidade no pacote de coisas desnecessárias para a vida humana, chegou à atualidade de forma equivocada e com força total, afinal, quantos compartilhamentos online não nos dizem para "usar mais a cabeça", ou em termos mais intelectuais, "colocar a massa cinzenta pra funcionar"?

  Considerando que a grande maioria das pessoas que compartilham esse tipo de ideia têm uma remota noção do significado da palavra, fica perceptível que estão todos infectados pelo vírus da hipocrisia, e meus amigos, isso me dá náuseas!

  Sou insana ao afirmar que nós precisamos de futilidades em nossas vidas? Ao dizer que o que é ordinário é necessário para nos distrair um pouquinho às segundas-feiras?

  Tipo... qualé?! Qualquer otário pode ler um artigo no wikipédia ou citar Proust e falar sobre economia e Direito como se fossem pesquisadores cheios de cultura, quando na verdade estão apenas fazendo citações seguidas de citações por horas e horas, ao ponto de acreditarem, pelas suas vidas, que toda aquela bagagem de informação está sendo, ó meu dels, tão útil para alguém (!).
          
  Essa turma de hoje em dia - e digo hoje em dia porque não convivi com os antigos - repudia conversas frívolas e limitam-se a despejar doutrinas milimetricamente ensaiadas nos espelhos de suas casas bem na cara dos outros, e fazem esses 'outros' acharem que estão sendo ignorantes por não conseguirem achar diversão em um assunto que foram ensinados a admirar.

 Eu provavelmente estarei errada, eu disse PROVAVELMENTE, mas eu cresci assistindo "O mundo de Beakman", me desenvolvi achando que as pessoas se divertiriam como crianças com o conhecimento que iam adquirindo, que seríamos cientistas testando as possibilidades de existir e que seria um prazer imenso discutir as conclusões com outras pessoas, mas nãaaao, é preciso decorar alguns autores para legitimar uma forma de pensar, de viver, de agir!

  O conhecimento pelo conhecimento deveria ser mais importante do que aprender algo apenas mirando algo, seja impressionar pessoas, arranjar emprego ou apenas auto-afirmação. O que eu quero dizer é que é uma pena que estejamos colocando determinados tipos de bagagem cultural num cofre de "coisas que não deixariam ninguém me achando esperto", é deprimente pensar que estamos sempre querendo ensinar algo a alguém ao invés de nos jogarmos em futilidades de vez em quando e nos divertir com todo mundo, afinal, porque nos sobrecarregar todo o tempo se o que estão fazendo não é para o próprio prazer, para saciar uma curiosidade, mas apenas para significar algo?

  Conversemos sobre o clima, sobre as cores, sobre séries, filmes, revistas, roupas, ciência, tecnologia, música, arte, mas conversemos pelo prazer! Vamos descansar um pouco, cara.

 


domingo, 26 de junho de 2016

Enquanto você existir


  Enquanto seus olhos piscarem, seu coração se mantiver batendo, enquanto o seu sangue ainda estiver pulsando em suas veias, o ar chegando em seus pulmões e sua mente ainda estiver funcionando, eu serei feliz. Eu irei sorrir quando você estiver por perto, conversando comigo, me abraçando, me odiando, me ignorando, estando longe, sozinho, ao meu lado ou ao lado de outra pessoa. 
  Enquanto houverem memórias em mim, você estará as minhas lembranças e meu coração pertencerá a você. Por favor, nunca duvide disso, e tente não desistir de mim.