Sempre soube que você era imaginado
se não era antes, o é agora
pois o passado desenrola
e teu rastro foi apagado
deixando-me só memória
Talvez você retorne aqui e todos os textos tenham sumido ou note que as palavras foram trocadas e o sentido de um poema, de um texto, de uma frase, de um aforismo foi totalmente invertido. Aqui é RASCUNHOlogia, não Definitivologia.
Sempre soube que você era imaginado
se não era antes, o é agora
pois o passado desenrola
e teu rastro foi apagado
deixando-me só memória
Quanto tempo dura a saudade?
Pouco: Uma vida inteira
E o trabalho árduo e leve
Nessa vida passageira
É deixar saudade onde se deve
Um pouco de si no outro
E tudo de si, de brincadeira
A tristeza é triste sozinha
Chora o choro na solidão
E o colo que te apazígua
é da tristeza irmão
A raiva é raiva sozinha
enfurece solitária
E a voz que te acalma
é da raiva adversária
O amor, que é compartilhado,
decola do peito, é alado!
Se faz bem desacompanhado
Melhor, é ao teu lado
Naquele dia ensolarado e frio era você, não era? Um dia quente e gelado. Era você, sim. Era você olhando para mim. Era você virando a esquina, notando-me e olhando para trás, não era? Sim, era, sim, eu sei que era. Senti você ali e me alegrei bastante. Achei que iria me magoar ao te rever. Achei que ficaria com a feição triste ao te reencontrar. Que sentiria frustração ou tristeza, ou raiva.
Sabe o que me aconteceu ao ter sua presença por poucos segundos? Meu peito se encheu é de alegria. Inflou-me um sorriso bobo que ficou colado na minha cara. O tempo é cálido! A vida é boa! Cumprimentei as nuvens! Por uns bons dez minutos só pensei em felicidade. Aí eu notei algo importante... Você não me faz triste - e nunca fez.
Você me faz feliz. A sua presença, como diz o poeta, entra pelos sete buracos da minha cabeça. A esvazia dos tempos ruins. Renova meu coração. Sinto um fôlego totalmente novo com uma pequena dose dela. Ao contrário, sua ausência é que me dói profundamente. É seu não estar, é a esquina da rua vazia, a mensagem não enviada, a carta não lida, as memórias rasgadas e jogadas no lixo. É a voz de outros tomando os decibéis da sua voz. É você, de costas, partindo. São as pegadas da sua existência e não seus passos. É saudade... é saudade.