segunda-feira, 18 de setembro de 2023

NADA ACOTECE FEIJOADA

 


Enquanto o ar condicionado faz efeito, enquanto o sono não vem, nessa noite quente de inverno, deito os dedos nas teclas, apago, reescrevo e eis o motivo: não tenho qualquer coisa a dizer. Coisa nenhuma. Só uns pensamentos cansados.

 A vida dos poetas é animada? A vida dos escritores, dos artistas, dos pintores? Sim. Creio que sim. Eles vivem! E é a vida acontecendo com eles, essa que perpassa seus crânios, tira deles toda boa arte e poesia. A arte é a vida expressada. Mesmo a arte ruim e a má poesia são a vida... Acho que a vida perpassa até mesmo os artistas ruins, buscando uma forma de se expressar. A culpa não é da vida, mas do crânio do artista que não funciona direito e passa uma vida que se expressa desajeitada, cheia de plágios, erros gramaticais, imitações, remixes. Às vezes a vida quer se expressar num artista que está com as mãos muito ocupadas e o labor tira o lápis das mãos. Mas o pulso da arte pulsa, pulsa, pulsa no pulso, nas mãos, nos dedos, na vida do artista.


 Essa vida não anda acontecendo direito comigo e a culpa é minha, que estou enclausurada. Meu crânio anda sobrecarregado, não tem espaço para a arte, só para o cansaço. O pensamento está cronometrado e minhas mãos sempre, sempre, sempre ocupadas. Daí não sai nada de arte. Nem boa, nem ruim. Nada. Não deixo a vida acontecer comigo e não aconteço com ela. Por isso não entendo qual o meu impulso de escrever. Também não entendo meu pulso de viver, de pensar ou de ocupar minhas mãos. Mesmo assim eu vivo do jeito que dá, penso no que posso, quando consigo e deixo as mãos calejadas. Ocasionalmente, sai alguma arte - arte cronicamente má. Mas arte.


 A parte boa da arte má é que ninguém se importa, ninguém entende. Ela sai porque deve sair e sai com as palavras que o artista conhece, com seus vícios de linguagem, com a estrutura que intuitivamente entranharam na escola primária. Com quantas artes se faz um artista? Uma só? Só se for boa?

 E cá estou. Sem ter o que dizer, dizendo nada, fazendo arte.

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Rabisco

O ar quer sair dos pulmões 

passar livre pela boca aos rojões

Essas cordas vocais sequer tremulam

Se obsta o som na língua e seguram


Cerra seu nome em meus dentes

prendem seu timbre em meus lábios

Mas as belas curvas! A grafia!

Tremulam vivas no vocabulário


Esse espaços entre as letras

do lápis brincam feito cirandeiras

suas vogais... suas consoantes

se reescrevem - nunca como antes


Esses rabiscos atentos

Apago, camuflo, não somem

os retornos e cruzamentos

que formam seu nome.

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Poetria XXI

 Apesar do tempo

dos contratempos

das quedas

percalços

dos tropeços

das feridas

de perder teus passos

Apesar dos desencontros

da despedida perdida

do teu olhar vago

O amor dá nó

O amor faz laço.


<3

terça-feira, 18 de julho de 2023

Poetry III

I see my love all day

Since when I wake up

Through the night's fate

Even if the sun BLOWS!

I see my love when it blossoms

In the streets... when I saw some

Even when grass grows

In the cold wind that flows

I see my love in the sky. Oh, it glows!

Between the fluffy clouds

In the stars that shine before the day goes


sexta-feira, 7 de julho de 2023

Esquecimento


Como esquecer a fragrância das rosas
a delícia e o sabor dos temperos
a sensação da brisa leve levando teus cabelos?

Como esquecer a saciedade quando se está sedento?
Como esquecer a fome quando se está faminto?
Como esquecer o sorriso na dor que revira os instintos?

No concreto, na sala, um botão se abre em flor
Do fogaréu, inunda o cheiro das especiarias
O vento se espicha, move os cabelos da tua cor.

A gota da chuva, do céu aos meus lábios, que pontaria!
A fragrância é o convite do sabor
O sorriso desabrocha - e de amor.