Nada. Coisa alguma. Tudo é vazio.
A porta bate, o chão range
Ninguém olha, ninguém riu.
Talvez você retorne aqui e todos os textos tenham sumido ou note que as palavras foram trocadas e o sentido de um poema, de um texto, de uma frase, de um aforismo foi totalmente invertido. Aqui é RASCUNHOlogia, não Definitivologia.
Teus braços em mim, no meu rosto, eu em teus braços,
nós em um nó,
atando os nós desatados
Te amo sem ponto final
te amo sem vírgula
te amo sem traço
sem língua
sem regra
Te amo além da ortografia
da geografia
da geometria
te amo além do poema
- que termina.
Certo dia despertei
despertei com outros olhos
o real é ilusório
agora, nada sei
Tudo é transitório
os instintos se revoltam
Da vida tive ódio
só a morte é real
Espetáculo fantasmagórico
Sem aplausos ao final
Inicia com a sina
ao nascer já se termina
um suspiro fatal
Aqui jaz o material
da qual se fez meus olhos
Jaz meu peito de animal
a vida é sonho irreal
Imergi em loucura
as coisas finitas - a fissura
Mortas enquanto paridas
no grande esquema frugal
Circulei espectro entre os espectros, em carne
nada realmente dói, nada realmente arde
Eis que o medo me invade!
No pânico o pensar imerso
na mera poeira do Universo
O céu me assusta - não o impeço
As estrelas me ofendem em seu infinito
Me doem na pele, resta o grito
Encarando a morte
quase não a sobrevivo!
Cansei-me... cansei do perigo
Troquei minhas lentes e achei abrigo
O que sinto é real, apesar de finito
A carne que arde é onde me exprimo
Eu sou! Eu vivo! Ao choro e riso!
Há amor, há pranto e sigo
Embalando no berço do abismo.