quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Poetria XIII

Nada. Coisa alguma. Tudo é vazio.

A porta bate, o chão range

Ninguém olha, ninguém riu.



segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Poetria XII

Teus braços em mim, no meu rosto, eu em teus braços,

nós em um nó, 

atando os nós desatados

domingo, 11 de dezembro de 2022

Poetria XI

Te amo sem ponto final

te amo sem vírgula

te amo sem traço

sem língua

sem regra

Te amo além da ortografia

da geografia

da geometria

te amo além do poema

- que termina.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Lápis-lazúli

Aos gregos brilhava o céu num rosado
Homero, ao pé d'água encostado:
É cor de vinho este mar!

Até então, olhos viam sem notar
Escondida à plena vista
Tão bela cor desabrochar

Mira! Atrás das nuvens!
Em diversos tons pra maravilhar
Atente teu enxergar:

Azul é o céu!
Azul é o mar!
Azul do menino da barriga a brotar

Azul da cor da Barba de um nobre violento
Da veste dos ricos nos reinos
Das divindades nos templos

Azul do ponto pálido no Universo a flutuar
Azul da calmaria: hipnotiza o descansar
Azul do amor, que veio visitar

Azul dos teus olhos a me olhar
Do cano alto do teu all star
Azul, o que senti ao me deixar.




 

domingo, 6 de novembro de 2022

No berço do abismo

 Certo dia despertei

despertei com outros olhos

o real é ilusório

agora, nada sei


Tudo é transitório

os instintos se revoltam


Da vida tive ódio

só a morte é real

Espetáculo fantasmagórico 

Sem aplausos ao final


Inicia com a sina

ao nascer já se termina

um suspiro fatal


Aqui jaz o material

da qual se fez meus olhos

Jaz meu peito de animal

a vida é sonho irreal


Imergi em loucura

as coisas finitas - a fissura

Mortas enquanto paridas

no grande esquema frugal


Circulei espectro entre os espectros, em carne

nada realmente dói, nada realmente arde

Eis que o medo me invade!


No pânico o pensar imerso

na mera poeira do Universo

O céu me assusta - não o impeço


As estrelas me ofendem em seu infinito

Me doem na pele, resta o grito

Encarando a morte

quase não a sobrevivo!


Cansei-me... cansei do perigo

Troquei minhas lentes e achei abrigo

O que sinto é real, apesar de finito


A carne que arde é onde me exprimo

Eu sou! Eu vivo! Ao choro e riso!

Há amor, há pranto e sigo

Embalando no berço do abismo.