segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Sinto muito, Múcio Góes

          Sou uma daquelas pessoas que ainda usa o Facebook, mas eu uso porque por lá ainda existem várias comunidades de literatura, cinema e outras artes, que estão bastante ativas e cheias de pessoas interessantes. Numa dessas comunidades encontrei um poema curtinho que me encantou bastante pela esperteza no uso das palavras. 

          O dono do poema, descobri, tratava-se de um pernambucano, chamado Múcio Góes, que se identificava como "mg6es" na internet. Ele publicava os poemas no instagram, facebook e nos blogs traversuras, prosa porosa, Blog de 7 Cabeças, árvore dos poemas, verba volant, scripta manent e no máximo o mínimo.

            Sua autodescrição no blogger: nasci com intuito / de sentir / sinto muito.

         Múcio foi autor de três livros, e era possível adquiri-los diretamente com ele.

                Após me apaixonar profundamente pela obra, descobri que Múcio faleceu em 20 de abril de 2018, após uma batalha contra uma doença, e eu, que nem o conhecia, senti a sua ausência, uma tristeza pelo falecimento de um artista tão grandioso e pouco conhecido.

                A seguir, alguns dos poemas do Múcio (queria colocar todos aqui):



como é que você 
se chama que eu
chamo tanto e
você não vem?

- Múcio Góes

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converso com versos,
a poesia é o trem
em que me expresso.

- Múcio Góes

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vontades dão
e passam
transpassam
como trens passam
deixando trilhos e
saudades

- Múcio Góes
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eco...

quando você
não está,
o meu silêncio fala mais alto;
quando você 
faz falta,

eu falto.

- Múcio Góes

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chega 
a  noite

         meço
         a dor

                e a dor
                   meço

- Múcio Goés



                   Até hoje a página Múcio Góes mg6es publica os poemas do autor, até hoje novos admiradores passam pelo processo que passei: de conhecê-lo, amá-lo e de sentir sua ausência. Apesar disso, vale a pena conferir seus maravilhosos e espertíssimos poemas!


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Solo

 A minha dor é a maior do mundo

 porque é minha

 somente minha

 e nela estou 

só.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Outro poema

Te amo: quando seu Eu aparece

Quando se esconde em si

o ardor desaquece


Isso! Alivie minha prece...

tire de mim a trama

do solitário apagar das chamas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Pulso

O céu na minha mente

Abro as pálpebras e com uma só visão

o universo todo se acende


Esse incandescer... como explicá-lo à razão

cuja expressão é algo que não se compreende

sem que antes tenha se sentindo o pulsar do coração

assim, tão de repente?



quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Infinitude

Em meio ao vazio, flutuava solitária

Seguindo os rastros do nada

Inconsciente e involuntária

Quando dentre as trevas, uma surpresa iluminada: foi acompanhada!


Como mágica, se riu em alegria,

e esqueceu-se de como o silêncio funcionava

O seu vagar foi cercado de cantoria

uma festa completa, onde a monotonia hibernava


Mas, incontrolável, o tempo não pôde se segurar

e assim findou-se a folia

Novamente solitária, às lamúrias voltou a vagar

E a ninguém poderia culpar, por ter lhe apresentado o pranto e a melancolia


Agora, aprisionada em seu não findar

Se ia... se ia.