quinta-feira, 17 de março de 2016

Cuidado: Contém Indiretas

  Eu tenho uma opinião que vai contra a corrente e é bem chato pensar assim: sua família pega no seu pé, te rotulam sem muitas preocupações, te agridem verbalmente, te excluem dos eventos sociais, e assim por diante... É. eu me doeria mais se estivesse no ensino médio, só que nem todo mundo é assim, nem todos conseguem se manter na via contrária do mundo, alguns sofrem com sanções penais severas em alguns países e, por essa razão, resolvem ficar em silêncio, o que é compreensível. Entendo também o silêncio daqueles que, mesmo morando em países em que o direito ao livre pensamento é assegurado pelo Estado, não se sentem seguros em expressar opiniões diferentes por causa da repressão social grave e da violência.
  Aqui no Brasil, dependendo do local em que você vive, seu jeito de pensar pode definir se você viverá até a média de mortalidade brasileira ou não, como por exemplo: defender seu direito de viver com o gênero com que se identifica. No entanto, existem questões que, apesar de serem vistas com maus olhos, não geram o mesmo tipo de repúdio, como por exemplo quando você vive num local mais seguro e consegue se pronunciar sobre temas tabus sem ser ameaçado de morte; e é sobre essas pessoas ''privilegiadas'' a quem dirijo esse texto mal escrito.
    É muito mais legal ter uma opinião homogênea, sabia? Você é mais aceito e mais levado a sério do que aqueles pobres desvirtuadores de ideias. É muito mais simples viver quando se é abraçado pela maior parte da sociedade, e por esse motivo eu creio que a carência é algo que pode chegar a ser extremamente maléfico: a carência pode fazer com que as pessoas se tornem psicopatas em potencial.
   Um exemplo de carência exacerbada são os recentes ''debates'' políticos, muitos estão fingindo estar unidos, quando na verdade estão apenas querendo ganhar popularidade entre a galera e descolar uns amigos pro fds. Isso é assustador, esse tipo de coisa nunca dá certo na história já que, para preservar esses laços as pessoas passam a tratar a política como religião e crítica como ofensa pessoal; com isso os debates deixam de ser debatidos e passam a virar grandes ringues de UFC ad hominem, tipo: ''meu lado é muito melhor, não porque eu tenho argumentos muito bons, honestamente, mas existem muitas pessoas me apoiando, e se existem muitas pessoas me apoiando, é como dizem: a voz do povo é a voz de Deus, né?''.
  O que quero dizer com tudo isso é que as pessoas não devem aderir ideias sem ter bases, conhecimento mínimo ou saúde mental suficiente para ouvir e ser ouvido sem agressões, sem necessidades egoístas por trás, ou melhor, é possível ter opiniões quase que únicas e acabar não agradando ninguém, e isso é ok! Não escolha um lado só porque ele dá mais convites para festas, porque ele é mais paternal (ou escolha, não posso te impedir, cara).
 Tenha coragem de ser você mesmo, tenha coragem de admitir que não sabe do que está falando pois, se seus amigos só gostam de você por que você segue o que todos seguem, eles não fazem tanta questão assim da sua presença. Além disso, se você vive num lugar tranquilo e oprime sua forma de ver o mundo, só lamento: sua contribuição para a história é ser um freio do progresso social, queridinho. ;)
 Enfim, ta aí meu desabafo de quinta de madrugada que não cabia no twitter. FLWS!
  

terça-feira, 8 de março de 2016

8 de março para idiotas

  Tem uma galera que está com uma baita dificuldade pra saber quem deve ser respeitada hoje: é desejo de ''feliz dia da mulher que se valoriza" daqui, ''feliz dia da mulher que não desce ao chão mas sobe ao céu" acolá- e por essa razão resolvi ser didática. 
  Hoje o dia é das que dançam funk até o chão, das que pegam geral, que trabalham dentro e/ou fora de casa, das prostitutas, das cristãs, ateístas, astrólogas, das bonitas, feias, famosas, subcelebridades, cientistas, ex-bbb, usuárias de drogas, das trans, gays, assexuais e assim por diante. Não concorda com essa abrangência toda? Não gosta da maioria das mulheres listadas e só quer mesmo é que se fodam por não atingirem seu padrão? Crie, então, uma outra data só pra esse seleto grupo de mulheres que conseguem cumprir a impossível tarefa de agradar todo mundo, porque hoje o dia está agendado para todas nós, com nossos defeitos, nossas qualidades e nossas lutas. De nada.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Antolhos: e como lidar com eles

  Todas as pessoas que conheci (e isso me inclui) foram, são ou serão emocionalmente manipuláveis; o ruim é quando algumas ficam presas tempo demais nessas situações. Os manipuladores não são necessariamente pessoas más e seus objetivos nem sempre são macabros; além disso, suas vítimas são de índole variável - ou seja- o bom e o mau não tem papéis muito definidos nessas relações.
  Conviver com alguém que está na esfera passiva desses relacionamentos não é fácil; ter paciência para ver alguém aguentando coisas ruins só para deixar alguém feliz é um exercício de compaixão porque nem sempre o sofredor entende o que está passando ou fazendo as pessoas a sua volta passarem.
  Amar alguém compreende, principalmente, a coexistência com seus pontos fracos; e por esse motivo é preciso agir de forma a não pôr mais peso nos ombros dessa pessoa que está sofrendo uma extorsão emocional. Então, como agir? Eu não sei com certeza, mas o caminho mais longo é esperar e conversar sempre usando a calma. Seja quase um monge e inspire sempre que essa pessoa disser algo prejudicial a si mesma, o ideal é você seja visto como um porto seguro e um ponto de apoio, quase um psiquiatra. Esse é um dever difícil de cumprir, eu entendo, mas repita para seu cérebro toda vez que você quiser sacudir o coitado até os miolos dele virarem pudim que as coisas não funcionam com base na violência e no distanciamento, ou melhor, toda tentativa de psicologia reversa é inútil, ao invés da pessoa se aproximar de ver a verdade ela vai correr de volta para a reconfortante e cotidiana mentira.
  Coloque o amor em primeiro lugar em tudo, e quando se tratar de lidar com pessoas metidas em grandes esquemas sentimentais, lute contra seu plano de resolução de problemas com base na violência- tudo pode ser resolvido de forma racional desde que se utilize a calma. Esteja sempre do lado dessas pessoas, elas precisarão.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Encaixotada

Num futuro distante, existirá uma garota chamada Luana. Essa menina se sentirá muito feliz o tempo inteiro e terá muita facilidade para desaprender e ficar confortável.
Luana, coitada, às vezes- bem de vez em quando mesmo- se sentirá muito, muito solitária e deprimida, e esse vazio chegará perto de a devorar; mas quando essa dor passar ela preferirá não gastar seu tempo precioso de alegria tentando descobrir a razão desses raros eventos- ninguém que convive com ela, na verdade, entenderá ou buscará entender: Afinal, como alguém consegue ficar tão triste morando numa caixa tão linda, pequena e cheia de respostas quanto aquela?

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Motivacional gera like

 Não quero exagerar, mas muita gente não usa drogas porque é feio ficar feliz de forma não-sóbria, é como se estar alterado e feliz fosse fácil demais pra ser invejado; a felicidade, hoje, virou algo a ser fotografado, tageado, postado e ostentado nas redes sociais; a tristeza é realidade demais pra ser digerida, e ninguém está afim de lidar com isso agora.
 Na busca por uma alegria de viver, as pessoas procuram muito a auto-ajuda: é texto de apreciação da vida aqui, frase de incentivo acolá- é perturbador o quanto as pessoas recorrem a essa tentativa inútil de escapar da própria realidade. É como se todos buscassem ser algo diferente e superior (dentro dos parâmetros sociais), ao invés de ser algo melhor. 
 Grande parte desses conselhos de vida te indicam um tipo de auto lobotomia: não sofra, diga na frente do espelho que a vida é bela três vezes ao dia e ignore a depressão. É quase uma receita de bolo de milho.
 Eu li algumas páginas daquele livro ''O Segredo'', pois o comprei por engano. Fiquei super chateada com aquela obsessão por sucesso pregada em suas folhas- não consegui ler metade delas. E o que aprendi com essa experiência foi o seguinte: siga o contrário do que os textos motivacionais te dizem. Não sofra pela metade, chore de corpo e alma, fique de luto, lide consigo mesmo e sinta algo! Fique com raiva, constrangimento e tesão, sem tabus. Não tenha medo de refletir e se questionar por medo de sentir algo que não seja pura alegria e contentamento com a vida, isso é covardia, e gente covarde sempre freou a sociedade.
 Eu vejo essas pessoas sofrendo para tirar uma foto que mostre como suas existências são equilibradas e incríveis e outras que se punem e ficam frustradas por não conseguirem alcançar esse ideal. Noto também que tem muita gente que faz de tudo para ser feliz ao ponto de querer controlar todo mundo, ao ponto de pisar em outros humanos- tudo por medo de lidarem com a dor.
 O mundo de um covarde é tão pequeno que só cabe ele mesmo; não tem espaço pra problemas, críticas ou conhecimento. São pessoas que se trancam nesse minúsculo universo que acreditam que se destacar é comprar uma roupa exótica, mudar é trocar de gosto musical, que ser feliz é comprar um carro e ter sucesso é conseguir se casar e ter filhos antes dos 30 anos de idade.
 A vida é uma merda na maioria das vezes, nada faz sentido, todos temos vontade de fugir das responsabilidades, usamos drogas e textos de auto ajuda mas, entenda, tudo isso faz parte da realidade. Se você não consegue conviver com as mazelas existenciais, não vai conseguir apreciar as pequenas alegrias de um jeito concreto, intenso. Não finja emoções, não seja um covarde.